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TEMPOVENTO
há algo de vento no verso que desenho: o invisível movimento - passageiro.
e, no entanto, o que desejo são as virtudes do tempo:
impassível sempiterno duradouro.
marcelo d´ávila
Escrito por marcelo às 10h06
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BABEL
(para JL Borges) Um bruxo cego viu o universo nos hexágonos de sua Biblioteca: a história minuciosa do futuro, a autobiografia dos arcanjos. E escreveu com areia seus garranchos em belíssimas páginas secretas. (havia nos nichos de Babel esquecidos livros infinitos) Mas ao partir levou em seus alforjes apenas o seu nome y el olvido...
marcelo d´avila
Escrito por marcelo às 09h54
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CONTO-A-GOTAS
Meu livro de microcontos, "Conto-a-Gotas", acaba de ser lançado. Está disponível apenas no site da editora: www.biblioteca24x7.com.br Por força de contrato, excluí alguns textos do Kayuá, mantendo as crônicas e os poemas. Agradeço a todos os leitores e convido a visitar o site.
Marcelo D´Ávila
Escrito por marcelo às 09h41
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INTERTEXTUAL (2)
Cabral descobriu o Brasil mas foi Joao Cabral quem traduziu.
marcelo d avila
Escrito por marcelo às 13h24
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UM LOUCO Trazia um cravo morto na lapela - o terno risca de giz roído de traça e tempo: dileto cavalheiro das ruas e avenidas, das praças e passeios, marquises e vitrines. Aos risos e olhares debochados respondia: faço versos. E era a poesia sua mais lúcida loucura.
marcelo d´ávila
Escrito por marcelo às 12h58
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AUTOBIOGRAFIA No parto nasço O morro é o berço Minha crença, o terço E a fé no braço No Narco cresço Bobeou, eu mato A vida é o preço Do pão no prato.
marcelo d´ávila
Escrito por marcelo às 09h52
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TEORIA
Lavoiser já dizia: no mundo nada se cria. O que é novo é de novo - e o resto é poesia. marcelo d´ávila
Escrito por marcelo às 09h40
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INTERTEXTUAIS
Mais de ano depois, volto para atualizar o Kayuá. E o faço com um "brincadeira poética": as "Intertextuais", poemas curtos em homenagem a grandes poetas da Literatura Universal. Começo com Leminski e Manoel de Barros:
LEMINSKIANA
Quem pode
pode:
a poesia de Leminski
era bem maior
que
seu bigode.
DE BARROS E VERSOS
Manoel
é um velhinho,
bem velhinho.
Gosta
de sapo
formiga
e ribeirão.
Não usa
máquina
pra escrever -
mas o seu lápis -
Ah! - o seu lápis
é
uma varinha de condão.
marcelo d´ávila
Escrito por marcelo às 08h43
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O GRITO DE DÉDALO
“Que tempos são estes, em que
é quase um delito
falar de coisas inocentes.
Pois implica silenciar tantos horrores!”
(Bertold Brecht)
Dezessete de julho de 2007: abrimos nossas janelas e, pálidos de espanto, ouvimos não estrelas, mas os ecos da absurda explosão do vôo 3054 em Congonhas. Assusta, apavora, revolta, mas lamentavelmente não surpreende. Porque a tragédia aérea não pode ser chamada de acidente: a recorrência exclui a fatalidade, o fortuito. Sobretudo quando incompetência e negligência caminham de mãos dadas. Como uma crônica de um desastre anunciado, há muito os especialistas alertam sobre os riscos de um sistema que não prioriza a segurança dos passageiros. Aquele Outro decantado, como profetizou Hilda Hilst, permaneceu surdo a nossa humana ladradura. O resumo desta ópera dramática é que, antes mesmo de uma conclusão definitiva sobre o choque entre duas aeronaves no Centro-oeste há menos de um ano, mais de duzentas pessoas são vitimadas em um novo episódio. A matemática macabra aponta para quase quatrocentas mortes somadas as duas ocorrências. O Estado, como Medeia, assassina seus próprios filhos. E, à maneira de Lorde McBeth, fecha os olhos e ignora o fantasma de tantos Banquos a assombrar suas noites.
Como um impotente Dédalo a ver a queda de Ícaro com suas asas desfeitas pelo calor do sol, resta a nós, os filhos que sobrevivemos, um indignado grito preso na garganta. O mesmo Dédalo que instruiu Ariadne a utilizar um fio condutor para retirar Teseu do labirinto de Minos. Talvez o que nos falte seja este fio condutor para que possamos sair do perigoso labirinto em que nós mesmos nos metemos.
marcelo d´ávila
Escrito por marcelo às 23h26
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O IMAGINÁRIO DE TODOS NÓS
Ao receber os originais de O Imaginário da Floresta, recentemente lançado pela Martins Fontes (www.martinsfontes.com.br) para que fizesse sua apresentação, imediatamente vieram na memória personagens como o Tibicuera de Érico Veríssimo ou A Vaca Voadora de Edy Lima; além, obviamente, do turma do Sítio de Lobato e do Herói sem Nenhum Caráter de Mário de Andrade. Porque todos - e muitos mais - foram a base sobre a qual fundaram-se os alicerces de minha vivência literária. Pois agora, Vera do Val - a autora deste Imaginário e amiga muito querida - recupera um pouco desta identidade nacional no gênero infanto-juvenil, dominada atualmente por bruxos europeus adolescentes, anéis mágicos e guarda-roupas encantados, universos distantes da realidade tupiniquim. O Imaginário da Floresta é dedicado aos curumins que matam a sede nas escuras águas do Rio Negro, mas também é dos moleques da Sé e da Candelária, dos guris que correm na pampa sulista, dos manezinhos da Ilha e dos meninos da Pampulha. Bebem no leito místico do Amazonas, mas miram-se igualmente nos espelhos do Paraná, do Araguaia, do Velho Chico e do Tietê. Esta grande floresta de que nos fala Vera do Val é toda ela a terra do Pindorama, onde canta o sabiá. Este é o imaginário de todos nós.
O IMAGINÁRIO DA FLORESTA, Vera do Val, Ed Martins Fontes, 2007, 96 pgs.
marcelo d´ávila
Escrito por marcelo às 17h47
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VESPERAL
Verto em
verbo
a voz
emudecida:
a outra voz -
aquela
envaidecida
que averba
reverbera
e
verbifica
verbalizando a
verve
vanguardista:
metáfora e
véstia
desta vida.
marcelo d´ávila
Escrito por marcelo às 22h22
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METAFÍSICA
e se nada houver
após o
último gesto -
se o
derradeiro verbo
apenas
for silêncio,
o que restar do
imenso sonho
dos meus versos
será
sólido gesto e
verbo intenso.
marcelo d'ávila
Escrito por marcelo às 08h19
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O ÚLTIMO ELVIS
Ai, meudeusdocéu!
Derrubei um Elvis no chão.
Quer dizer, um frasco com o DNA do Elvis – aquele mesmo, do bibopalula. Pior: era o último Elvis do estoque. O contratante vai ter que se contentar com um Julio Iglesias. Talvez eu ainda tenha um Jerry Lee Lewis em catálogo, mas acho difícil. Se lembro bem, aquela encomenda do Sri Lanka levou o que restava. Julio Iglesias tem de sobra, o pessoal quase não pede. Elvis era mesmo o que mais saía: casamento, aniversário, despedida de solteiro. Todo mundo quer um Elvis em sua festa. E agora acabei de quebrar o último. Merda.
Mesmo que eu consiga convencer o cliente a levar um Julio – música romântica cai bem numa festa de debutantes? – meu emprego vai ficar por um fio. Desde que fui transferido do Setor Recombinante, onde criei um cachorro azul misturando os genes de um Bichon Frisé com os de algas cianofíceas, tenho sido um funcionário exemplar. Mas o gerente não admite esse tipo de falha. E logo um Elvis. Um não: o último!
Cheguei até a ganhar um bônus quando daquela encomenda do sul. De Buenos Aires, acho. O mais engraçado é que aquilo também foi um erro: os clientes queriam um estadista, alguém capaz de vencer sem questionamentos as eleições deles – ou era Bogotá? Ofereci Napoleão, mas eles queriam algo menos belicoso. Sugeri Churchill; os caras acharam britânico demais - seria Belize? Fechamos com um Roosevelt. O caso é que a faxineira – uma mexicana com cara de Chow-Chow – tinha trocado os rótulos. Acabei por mandar um Neanderthal no lugar do Roosevelt. Mas, para nossa surpresa, o Neanderthal não só ganhou com sobras as eleições como agora lidera as pesquisas para ser reeleito – Bolívia?
Bom, apesar do erro, foi meu maior sucesso.
Agora é diferente, um perfeito desastre: quebrei um Elvis!
O último.
marcelo d'ávila
Escrito por marcelo às 08h20
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POEMA DE APENAS UMA FACE
Não esqueças
a poesia,
disse-me um dia
um querubim.
Não sabia
o anjo torto
meu desconforto
porque ela
esqueceu
de mim.
marcelo d´ávila
Escrito por marcelo às 20h54
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ESTIGMA
porque me
abrasa a
chaga da
palavra
sangro silêncios
e gravo em
cinzas na
carne descoberta
o indisfarçável
estigma
do verbo.
marcelo d avila
Escrito por marcelo às 17h43
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