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ÁSIA
Feriu-se
o ventre das águas na fúria insana do solo - quebrando o encanto do verde, jogando sal sobre os corpos; rasgando velas e sonhos, semeando valas nos portos; vertendo rubros na areia, secando a vida nos olhos.
Escrito por marcelo às 23h39
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PEQUENA FÁBULA URBANA
Nos arrabaldes todos sabiam-no pela alcunha Pirilampo. O nome real, se alguma vez o tivera, perdera-se nas memorânsias do tempo e esquecitudes do álcool. Roupava-se de farrapos, lembrando na figura parca as sujessências da condição humana. Volumava o abdome em gostosas gargalhadas, vermelhando a face enquanto verdadeirava ilusões e sonhos às crianças, tornando-as felizes com aquelas fábulas inventadas. Aos adultos sorria sempre,um sorriso mal-halitoso e órfão de dentes,saudando com um deschapelar-se. Contrapartidamente, recebia os minguados cobres que mantinham-lhe o vício e a vida. Durante o dia, sombrava-se sob a proteção das marquises, assoviando alguma ária fantasiosa. À noite, habitava os vãos das pontes, camando-se em jornais antigos e úmidas peças de cartão. Sonharia?
Um dia veio a fábrica e foram-se as casas.E,com elas, as famílias desresidenciadas. Nunca mais teve platéia. Suas histórias e sorrisos perderam-se no silêncio do concreto. E jamais foi visto novamente.
Ontem, descobri que encantou-se, transmutado em vaga-lume.
Marcelo D´Ávila
Escrito por marcelo às 10h41
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O Princípio
" No princípio, Nhanderuvuçu criou o Kayuá, o dom da palavra; uma coisa só existe quando há um nome para chamá-la. " - da lenda guarani da criação do Universo, transcrita por Barbosa Lessa em "Rodeio dos Ventos", Ed. Mercado Aberto, 3ª edição. Essa "casa nova" vem em para isso - para o livre exercício da criação da palavra, meu - e dos amigos - Kayuá particular. Bom proveito a todos!
Escrito por marcelo às 09h43
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