A Rosinha já tinha dado o ultimato. Os amigos de bebedeira ou ela. Os amigos ganhavam sempre. E ela, vencida, ia ficando. Tratava da bebedeira de seu homem com carinho e coca cola. Perdoava. Ele jurava amor eterno. Pegava a viola e soltava o vozeirão num pedido de Lupicinio Rodrigues
Volta,
vem viver outra vez a meu lado
Não consigo dormir sem teu braço
pois meu corpo está acostumado
e ela tinha vontade de responder também como Lupi
Nunca,
nem que o mundo caia sobre mim
mas sempre voltava atrás. Até a manhã seguinte, quando ele chegava em casa caindo pelas tabelas. Aí ela prometia ir embora. Chorava. E ele pegava na viola.
O Cravo chegou no barraco e não encontrou Rosinha. O sol já se espreguiçava lá em cima, sacudindo o sono dos olhos. A casa da mãe. Só podia estar lá. Em todas as discussões, Rosinha ameaçava ir pra casa da mãe. Saiu batendo a porta e cantarolando com a voz embriagada as razões de Paulo Vanzolini
Um homem de moral
não fica no chão.
Entrou chutando porta e tudo na casa da sogra. Rosinha tentou argumentar. Fugiu pro quintal. Nada adiantou. O Cravo, enlouquecido, puxou-a pelos braços. Dois safanões, uns quatro ou cinco tabefes e o serviço estava feito. A volta por cima.
Rosinha caiu de bruços, sangrando a face e a alma.
Despetalada.
Ela nunca havia imaginado que espinho pudesse machucar a flor.
Escrito por marcelo às 22h29
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