Kayuá


SURTO



queria mesmo

era

deitar os olhos

na brancura de

lápide

da página

e ver brotar

os versos como

um

surto

um

parto

um

porto

ter nas palavras

uma puta

que entrega o

corpo

por algo menos

que trinta

dinheiros

depois

à noite

apagar os olhos

morrer aos poucos

silencio

           sa

              mente





marcelo d'ávila





Escrito por marcelo às 08h09
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