Kayuá


O ÚLTIMO ELVIS

 

 

  Ai, meudeusdocéu!

 

  Derrubei um Elvis no chão.

  Quer dizer, um frasco com o DNA do Elvis – aquele mesmo, do bibopalula. Pior: era o último Elvis do estoque. O contratante vai ter que se contentar com um Julio Iglesias. Talvez eu ainda tenha um Jerry Lee Lewis em catálogo, mas acho difícil. Se lembro bem, aquela encomenda do Sri Lanka levou o que restava. Julio Iglesias tem de sobra, o pessoal quase não pede. Elvis era mesmo o que mais saía: casamento, aniversário, despedida de solteiro. Todo mundo quer um Elvis em sua festa. E agora acabei de quebrar o último. Merda.

   Mesmo que eu consiga convencer o cliente a levar um Julio – música romântica cai bem numa festa de debutantes? – meu emprego vai ficar por um fio. Desde que fui transferido do Setor Recombinante, onde criei um cachorro azul misturando os genes de um Bichon Frisé com os de algas cianofíceas, tenho sido um funcionário exemplar. Mas o gerente não admite esse tipo de falha. E logo um Elvis. Um não: o último!

   Cheguei até a ganhar um bônus quando daquela encomenda do sul. De Buenos Aires, acho. O mais engraçado é que aquilo também foi um erro: os clientes queriam um estadista, alguém capaz de vencer sem questionamentos as eleições deles – ou era Bogotá? Ofereci Napoleão, mas eles queriam algo menos belicoso. Sugeri Churchill; os caras acharam britânico demais - seria Belize? Fechamos com um Roosevelt.  O caso é que a faxineira – uma mexicana com cara de Chow-Chow – tinha trocado os rótulos. Acabei por mandar um Neanderthal no lugar do Roosevelt. Mas, para nossa surpresa, o Neanderthal não só ganhou com sobras as eleições como agora lidera as pesquisas para ser reeleito – Bolívia?

   Bom, apesar do erro, foi meu maior sucesso.

   Agora é diferente, um perfeito desastre: quebrei um Elvis!

   O último.

 

marcelo d'ávila



Escrito por marcelo às 08h20
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